quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O Banco do Brasil, de crise em crise

Resultado de imagem para criseO Banco do Brasil anuncia o fechamento de pouco mais de 400 agências como medida para redução de custos. Anuncia também a alavancagem das agências digitais, totalmente virtuais.

A medida parece ser daquelas que as empresas de mercado adotam em tempos de crise, certo?

Nem tanto.

A história mostra que o Banco do Brasil, por diversas causas, foi à falência em 1829, apenas 21 anos depois de fundado. As causas são diversas, mas todas vinculadas à atuação ligada à família real, significando, portanto, forte atuação política.

História mais recente, no impedimento de Fernando Collor, carros de parlamentares desfilavam durante todo o dia na garagem da presidência do Banco, augurando negociações para fidelizar a base.

O fato é que o BB tem sua diretoria nomeada pelo governo federal, e muitos são os candidatos aos cargos. Pela visibilidade e pelo tamanho das verbas, são cargos cobiçadíssimos pelos políticos, o que nem sempre é bom sinal para os principais stakeholders do banco. A atuação política não se afina, necessariamente, com os objetivos empresariais da instituição, e a conta tem de ser paga de alguma forma.

Algumas decisões do BB marcaram profundamente seus funcionários. Em 1985, os postulados do Novo Modelo Organizacional de Agência (NMOA) alterou estruturas organizacionais e causou a transferência de funcionários, algumas de forma compulsória. O Projeto Novo Rosto, no início dos anos 1990 foi outra trágica mudança, com ares ditatoriais, Cortou cargos e transferiu funcionários entre agências e cidades. Depois, uma onda de um tal de “Suporte Zero”, quase que concomitante com o Novo Rosto (na verdade, um argumento) agravou ainda mais a situação já precarizada dos funcionários.

Os principais atingidos foram os funcionários e suas famílias. Não se trata de evidenciá-los em desfavor das mudanças. Mas trata-se de, com a distância provida pelo tempo decorrido, avaliar a situação. Embora o NMOA tenha tido motivações fundamentadas em argumentos sólidos e voltados para uma lógica de integração com o ambiente, foi o único a apresentar fundamentação. O Projeto Novo Rosto foi a ação de um novo presidente com disposição a mudanças (quaisquer mudanças) e o Suporte Zero foi uma devaneio suicida baseado numa tentativa utópica de atingir o inatingível.

As mudanças anunciadas pela nova presidência do BB são, salvo melhor juízo, necessárias sim. Mas só o são por causa das administrações politicamente engajadas anteriores. Num determinado momento dizer que 400 agência são dispensáveis é dizer que essa avaliação não ocorreu, em critérios objetivos, ao longo do tempo. Se cada uma delas não atingiu indicadores de performance de viabilidade econômica, é porque não houve avaliação anterior. Ou não havia indicadores. Pode-se dizer que foram escolhidas as de menor desempenho perante critérios formados numa avalição específica, o que só reforça o argumento. E, novamente, funcionários e família serão os afetados.

Dessa presidência do BB espera-se uma atuação voltada para o mercado, e não à política. Se assim for, menores serão os solavancos no caminho. Não há porque duvidar que assim será. E assim torcemos.

terça-feira, 28 de junho de 2016

A(s) polícia(s), sua situação e a morte de mais um menino

A pichação no carro que, segundo colega de farda, é do PMNas notícias e nas redes sociais, repercute a morte de (mais) um garoto, de 11 anos neste caso, por um policial da guarda municipal desta vez.

Lamentável que uma morte ocorra de forma tão gratuita.

Mas…

A situação das polícias no Brasil não é de vicejo. Ao contrário, muito ao contrário, como nos mostra o exemplo do Rio de Janeiro (RJ), onde policiais mostravam uma faixa no aeroporto internacional ontem (27/06), “bem vindos ao inferno”.

É muito fácil adotar uma postura crítica, e somente isto, ao comportamento dos policiais. Mas eles são parte de uma realidade muito maior e mais triste que a sua própria.

Salários baixos, condições de trabalho hostis (dentro das respectivas “delegacias”), visados pelos bandidos que não pestanejam em atirar contra eles, imagine-se a pressão com que trabalham.

Mas precisam trabalhar. E vão, disfarçados, até envergar o uniforme. Mas isso não os livra das pressões.

Agora, o caso dos meninos. Imagine um carro roubado à sua frente. Quem pensaria que são garotos, ainda na infância, que os conduz? Pensa-se logo em saidinha de banco, sequestro relâmpago, etc. E, por inferência lógica, há o temor das armas, que, parece, são facílimas de obter (por parte dos bandidos).

Será que é justo pedirmos aos policiais esperarem para reagir? Será que só seria válido atirar se um deles fosse ferido? Será que alguém, nessa situação, pensaria em uma abordagem polida, cheia de protocolos?

É oportuno lembrar que os atingidos estavam cometendo um crime. E que, até que saíssem do carro e se apresentassem, rendidos, à polícia, não se poderia ter ideia de quem fossem?

Depois do ocorrido, é cômodo criticar. Mas e se o policial fosse um familiar nosso, estaríamos condenando sua conduta? Parece que é fácil ser o crítico. Mas o fato é que se não pensarmos no conjunto total da situação, e não reconhecermos o que está errado, nunca haverá solução. Porque problema não há.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Sobre o Uber

Cena 1 – No aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro (RJ), entro num táxi depois de uma longa espera na fila. Digo o destino e o motorista sai. Já no trajeto, ele pergunta se vou pagar com uma nota de cinquenta reais. Digo que sim. Ele diz que não tem troco, e que me deixaria na avenida para eu pegar outro táxi. Eu me recuso, e ele segue adiante xingando, resmungando e fazendo barbaridades no trânsito.

Cena 2 – Em Recife (PE), ao pagar uma corrida, o motorista diz não ter troco. Mas diz que a culpa não é minha, e sim dele, que deveria ter se preparado. Disponho-me a ir com ele trocar, e ele se nega. Diz que o passageiro não deve pagar por um erro dele.

Cena 3 – Ainda em Recife (PE), um motorista se confunde e diz que errou o caminho. Retoma o caminho correto e me diz que eu não sairia perdendo por um erro dele. Apura, pelo rádio, qual seria o valor da corrida e me cobra exatamente esse valor. Pede mil desculpas pelo erro.

É óbvio que no Rio de Janeiro eu preferiria o Uber. Os motoristas não se preocupam muito com ética, e o jeito brasileiro tenta se manifestar.

Já em Recife, uma das sedes da Copa do Mundo, os motoristas se preparam para atender o cliente. Ali, não há porque preferir o Uber, senão em termos financeiros. Mas a educação e simpatia dos motoristas de táxi torna difícil considerar qualquer outra opção.

O fato é que o Uber é uma inovação que tende a transformar a realidade do transporte de passageiros. Solicitação e pagamento por um app de smartphone, com regras bem definidas sobre os carros e motoristas, em algumas situações deixa mal os carrinhos populares com mais de 10 anos de uso que frequentemente se vê em táxis. E, como inovação, tende a ser combatido por aqueles que querem manter seu feudo.

Feudo esse, aliás, promovido pelo poder público, na medida em que as prefeituras tornam oneroso demais a propriedade de um táxi. Para fins de justiça, melhor seria o fim do custo da placa de táxi, comum em muitas cidades. Também o número limite de táxis deveria ser repensado, pois é medida que atrapalha o dinamismo que deveria ter o serviço. Em Florianópolis, por exemplo, é notória a falta de carros de praça, motivo pelo qual a espera é longa e penosa. E lá não adianta nem app.

Enfim, concorrência se dá pela qualidade do serviço aliado a preço. Se quiserem continuar ganhando no grito, os taxistas se aproximam de mafiosos que ganham na intimidação.

Uma sugestão aos taxistas: sigam os exemplos dos pernambucanos.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

“Futebolizando” a política

O ator, se sentindo ofendido, cuspiu na cara dos ofensores.

Dois grupos de ideologias diferentes se encontram e brigam entre si.

Parece até coisa de torcida de futebol, pois envolve 100% de paixão e zero de razão.

Será que a civilidade do povo brasileiro é tão precária que a política vai fazê-la em pedaços?

Onde está o respeito pela posição alheia? Para onde foi a fairplay de que tanto precisamos para manter o mínimo de cordialidade?

O povo brasileiro está estupefato pela situação. Alguns, com a monta da roubalheira. Outros, com o que chamam de golpe. Mas devíamos estar todos do mesmo lado, torcendo para que os transgressores da lei e da MORAL sejam julgados com a imparcialidade necessária e indispensável. Ao contrário, celebramos as demonstrações de força e os mentirosos desmentidos.

De um lado, os que estão sendo atingidos pela Lava Jato. São vários os partidos, mas em especial o PT. Mas os que são contra este não devem se esquecer de que há, em São Paulo, o escândalo da merenda escolar. E que o PSDB, tão faminto por justiça na esfera federal, esteja inapetente na esfera estadual. Sim, pois como os acusados são do PSDB, há que protegê-los, devem pensar. Assim, aquele deputado do PSDB que é apoiador de sempre do chamado golpe contra o PT, utilizando um discurso técnico e ético, vê-se pego no contrapé pela versão paulista do caso. Pergunta: alguém tem o que comemorar?

No caso de São Paulo, os atingidos diretamente são crianças. Pior que tirar o doce das crianças é negar-lhes comida de qualidade. No caso de Brasília, ficam os cacos daquela que já foi a maior empresa brasileira.

Quem comemora o resultado da votação do Congresso na questão Dilma deveria lamentar. Pois a conta, para lá de amarga, já está sendo cobrada através do desemprego, que atinge nossos familiares e amigos, quando não nós mesmos. E quem comera os problemas da merenda escolar de São Paulo deveriam lembrar-se de que estamos pagando por uma boa merenda, mas está sendo entregue uma qualquer.

Ser´s que poderíamos desvestir a camisa partidária para analisar racionalmente cada questão?

Há amigos brigados, há pessoas brigando. Famílias em que se veem os dois lados estão emudecidas, pelo medo da discórdia.

Isso é coisa de futebol. Ao menos neste, quando fora do campo, os torcedores se divertem provocando uns aos outros. O que está em jogo é o valor do ingresso. Mas na política o que está em jogo é muito mais. É como vamos gozar a aposentadoria, como vamos receber tratamentos médicos, como seremos protegidos de ladrões e assassinos.

Em suma, é triste o ponto em que chegamos. Precisamos voltar a pensar de forma independente. E os tais “formadores de opinião” devem se investir de responsabilidade social, mais que partidarismo, para chamar todos à razão.

terça-feira, 1 de março de 2016

Refletindo sobre a troca do ministro da justiça

poc3a7o[1]Lula e petistas reclamaram do ministro da justiça, que não teria controle sobre a polícia federal. O que isto diz ao país?

A presidente aceitou trocar o ministro por força das pressões de autoridades. O que isto diz ao país?

O novo ministro é indicado pelo ministro da Casa Civil, que é aliado de Lula e petista. O que isto diz ao país?

Não diz muita coisa, porque somente uma pequena parcela no país está de fato ligada nesses acontecimentos. Todos festejam o sucesso da Operação Lava Jato, mas nem todos percebem que pode vir a ser uma vitória fugaz. As ações de membros do governo, de advogados dos réus, dos apaniguados e dos que se locupletam das benesses do poder vão acabar nivelando por baixo a moral do país. Juízes como Moro devem continuar sendo tratados como exceção, e pode ser mesmo que tudo volte a ser um grande pano para baixo de onde devem ser varridos todos os maléficos atos de corrupção.

Nesta Lava Jato vimos que até mesmo pessoas de caráter considerados ilibados se envolveram nos escândalos. Não que não tenhamos visto isso antes. Mas desta vez algumas personalidades supostamente poderosas enfrentaram as barras da prisão, com constrangimentos de algemas e tudo a que tem DEVER. Será que essa onde tem fôlego?

Não quero o juiz Moro candidato a nada. O que quero, mesmo, é ver outros juízes à altura deste. Que todos tenham discernimento e desprendimento para fazer a coisa certa. E que os justos que se ofendam com tal afronta, como essa da  troca do ministro, e venham a público para se manifestar.

Que os personagens tais como o caseiro, a secretária, o motorista, mesmo a ex-esposa que sabem das falcatruas as denunciem. Por que não há mal maior  que o silêncio, que implica em aceitação cúmplice.

Sempre fomos brindados com histórias de representantes do povo (vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores e cargos majoritários) receberiam em troca de favores. Essa é uma afirmação comum e culturalmente, infelizmente, até aceita (lembra do “rouba mas faz”? Infelizmente não se faz mais nada, como é exemplo a situação dos hospitais no Brasil. Mas infelizmente, talvez mais ainda, é que ainda se roube. E a cultura do brasileiro faz com que mesmo os denunciados em grandes escândalos sejam reconduzidos ao cargo em eleições, mantendo a porta do malfeito e ganhando, adicionalmente, foro privilegiado.

Aqueles cidadãos, vítimas do caos da saúde, que choram sós, ou acompanhados da família, unidos, poderiam dar o primeiro passo. Não temos saúde. Pessoas morrem ou sofrem desnecessariamente por conta desse escandaloso SUS, que ainda não se mostrou mais que uma utopia. Mas, isolados uns dos outros, são fracos. São rechaçados pela polícia e pela direção de nossos catastróficos hospitais, que dizem, em notas oficiais protocolares, “que todos os procedimentos foram seguidos à risca”. E, no entanto, não há remédios, não há equipamentos, não há médicos.

Também assim aqueles que veem a polícia agir contra estudantes, mas veem os crimes aumentarem continuamente. E podemos discorrer aqui de inúmeros cidadãos que, às legiões, enfrentam problemas não de governabilidade, mas de governantes. Que, frise-se, podem ser do PT, ou do PSDB, ou de qualquer partido. Pensando no povo, poucos. Estadistas, nenhum.

O país é lindo. Acho que com esses políticos, mesmo isso um dia vai acabar. Porque nossos políticos, com nosso referendo, têm o grande talento de acabar com tudo.